O catálogo da plataforma de streaming está fervendo com produções europeias que apostam pesado na tensão, seja ela dentro de um tribunal ou em uma floresta em chamas. De um lado, temos uma minissérie alemã recém-lançada que desafia abertamente uma gigante da tecnologia. Do outro, um thriller espanhol sufocante que escalou rapidamente para o topo das paradas em dezenas de países, provando que boas histórias não dependem de uma única fórmula.
O outro lado da história do Google Earth
A série “Batalha Bilionária: O Caso Google Earth” chegou à Netflix disposta a comprar briga. A trama resgata a história real de dois jovens inventores alemães que criaram o sistema Terravision lá em 1994. Eles exigem nos tribunais o reconhecimento de que o algoritmo deles é, na verdade, a engrenagem que faz o Google Earth rodar. Ziegenbalg, roteirista do projeto, foi bem direto ao ponto durante uma entrevista para a revista americana Variety. Ele comentou que, enquanto o filme “A Rede Social” mostrou os fatos pelos olhos do grande vencedor Mark Zuckerberg, essa nova produção abraça a perspectiva dos “lindos perdedores”. A ideia do diretor Robert Thalheim era justamente fugir de um protagonista intragável, construindo personagens pelos quais o público realmente quisesse torcer ao longo da jornada.
A narrativa vai e volta no tempo de forma bem dinâmica. Alterna entre os dias tensos de julgamento e a Berlim recém-reunificada dos anos 1990, um cenário pulsante dominado por clubes de techno, arte experimental e hackers que a maioria das pessoas não levava a sério. Juri Müller e Carsten Schlüter ganham vida na juventude através de Marius Ahrendt e Leonard Schleicher. Nas cenas do presente, os veteranos Mark Waschke — rosto carimbado por interpretar o Noah na aclamada série “Dark” — e Mišel Matičević assumem os papéis da dupla principal.
O risco assumido e a escolha do formato
Ziegenbalg e Thalheim viveram a Berlim daquela época. Eles conhecem bem a atmosfera da cidade e sabiam o que queriam contar. No começo da produção, o projeto foi pensado como um longa-metragem, mas o espaço mais amplo de uma série falou mais alto. Ziegenbalg explicou que um filme exigiria cortes drásticos em elementos fundamentais. O formato de série permitiu dedicar, por exemplo, um capítulo inteiro exclusivamente ao julgamento, destrinchando todos os depoimentos de especialistas técnicos e financeiros. Eles costumam usar a minissérie “Chernobyl” como referência para essa liberdade, lembrando de como episódios inteiros podiam focar em missões específicas sem perder o ritmo, algo impossível na tela do cinema.
Há um detalhe bastante ousado nos bastidores de toda essa criação. Os realizadores simplesmente não procuraram a dupla que inventou o Terravision, e muito menos tentaram contato com o Google. Assumiram o risco de peito aberto. Eles sabiam que essas multinacionais de tecnologia tentam controlar a própria imagem de forma implacável e jamais aprovariam um projeto do tipo. Decidiram usar os nomes reais e pagar para ver, confessando que não têm a menor ideia de como a empresa vai reagir ou se acabarão enfrentando um processo de verdade.
Corrida contra o tempo e as chamas
Enquanto os alemães apostam forte nos tribunais, a Espanha entrega adrenalina crua. O thriller “Cortafuego” (lançado internacionalmente como “Firebreak”) estreou e já virou um verdadeiro fenômeno de audiência. Dados do portal de análise FlixPatrol mostram que o longa chegou dominando tudo, garantindo o cobiçado primeiro lugar no ranking da Netflix em 13 países. Na Alemanha, a produção já alcançou a quarta posição geral.
O diretor David Victori costura sobrevivência e drama familiar de maneira angustiante. A trama acompanha Mara, uma viúva que tenta encontrar um pouco de paz viajando com a família para uma casa de campo. O descanso vira pesadelo quando a filha dela desaparece na floresta, exatamente no momento em que um incêndio colossal começa a engolir a região. O relógio corre rápido. E, no meio de todo o pânico, uma suspeita sombria toma conta da protagonista: talvez o fogo incontrolável não seja a única ameaça real escondida entre as árvores. Para sustentar essa tensão do início ao fim, o filme traz um elenco poderoso encabeçado por Belén Cuesta, Enric Auquer e Joaquín Furriel.