Quem acompanha os passos da Disney há algum tempo já sacou que a regra do jogo por lá é a mudança. As eras começam, marcam época e, inevitavelmente, chegam ao fim. A gente viu isso acontecer de monte nos últimos anos: o fim do Magical Express, a morte das MagicBands grátis, o adeus ao FastPass+ e às Extra Magic Hours. Para a galera mais da velha guarda, bate até uma saudade daquela aura dos anos 2000, dos tempos do Key to the World, da campanha Year of a Million Dreams ou daquela correria absurda logo na abertura do parque, quando você mandava o amigo com mais fôlego correr até o Toy Story Mania só para garantir o FastPass de papel da turma toda. Cada minuto de atraso podia custar horas preciosas.
Pois é, e agora mais um capítulo clássico dessa história foi encerrado. Aquele pedacinho de plástico vermelho que muitos guardam na memória virou relíquia oficial: o cartão FLIK foi aposentado após mais de 25 anos de serviço. A última atração dos parques que ainda dependia do sistema finalmente virou a chave para a tecnologia touchless moderna.
Se o nome FLIK — sigla para Fabulous Line Information Keeper — não soa tão familiar, a memória visual com certeza vai bater se você pisou nos parques nas últimas duas décadas. Eram aqueles cartões amarrados num cordão que os Cast Members entregavam aleatoriamente na entrada de um brinquedo. Ser o escolhido para carregar aquilo era quase como receber uma missão diplomática de altíssima responsabilidade. A gente segurava o cartão com a certeza de que o destino de milhares de visitantes, que tentavam montar suas estratégias de fila pelo parque, dependia de nós. Talvez seja um leve exagero dizer que o peso da Disney estava nos nossos ombros, mas a sensação era exatamente essa.
Jonathan Reuel, um dos pioneiros da tecnologia para visitantes e co-criador do FastPass, confirmou a morte do sistema lá no LinkedIn, celebrando o fim de uma era. Ele lembrou que o FLIK estreou em 1999 no Walt Disney World e depois foi para a Califórnia, destacando como foi especial ver o público ajudando a rastrear os tempos de espera por tanto tempo. Fazer parte disso foi, de fato, segurar um pedacinho da história da empresa nas mãos.
A reinvenção do que ainda nem é tão velho assim
Enquanto os parques se despedem dessas pequenas tradições analógicas que moldaram a nossa experiência, do lado dos cinemas a engrenagem de reciclar o passado continua rodando a todo vapor. A Disney parece cada vez mais focada em revitalizar o que já deu certo, mesmo que não faça tanto tempo assim. A prova mais recente disso caiu na internet nesta segunda-feira (17), com o estúdio liberando o primeiro teaser oficial do live-action de Moana.
A pressa para trazer a personagem para o mundo de carne e osso — com estreia cravada para julho de 2026, exatos dez anos depois da animação — tem seus motivos. O filme original de 2016 foi um estouro absoluto de bilheteria e ainda beliscou uma indicação ao Oscar. É um movimento seguro para o estúdio, principalmente se lembrarmos que Moana 2, de 2024, deu uma bela derrapada, frustrando as expectativas financeiras e deixando a crítica bem dividida.
Para essa nova adaptação, a essência do que funcionou volta ao centro do palco. Moana parte novamente em sua missão em alto mar para salvar seu povo, encontrando o semideus Maui e descobrindo seu próprio caminho como mestre da navegação. A grande novidade fica por conta da escalação: Catherine Laga’aia assume o colar da protagonista, enquanto Dwayne Johnson volta para dar presença física ao Maui, personagem que ele mesmo eternizou na dublagem original.
O trailer completo ainda deve demorar alguns meses para dar as caras, mas as peças já estão no tabuleiro. No fim das contas, seja sentindo falta de um cartão vermelho que marcava o tempo na fila do Peter Pan ou assistindo a um “novo” filme que parece ter saído ontem do cinema, fica claro que a Disney entende exatamente como embalar nosso passado — do mais distante ao mais recente — para nos apresentar tudo de novo sob uma nova roupagem.